domingo, 10 de maio de 2009

Vem dançar comigo, Jesus!



"Eu só sei de uma coisa, que todos sabem. Quando a graça dança, eu também devo dançar." AW Tozer

"Quando você dança, seu propósito não é chegar a determinado lugar. É aproveitar cada passo do caminho." Wayne Dyer



Jesus orou para que, estando no mundo, ficássemos livres do mal, Mais do que uma canção sobre a redenção de uma mulher mal amada, “Valsinha”1 pode cantar também a graça e ser o fundo musical da redenção cultural da igreja de Cristo no Brasil de hoje.

Por vários anos, estivemos como que dormindo. Nosso vestido de festa no armário, um complexo de inferioridade acachapante, um gemido sufocado por canção. Apesar de estarmos crescendo, sempre nos sentíamos menores, copiávamos teologias e modismos estrangeiros, espelhávamos nossas igrejas nas de outras terras, enviávamos nossos filhos para estudar fora como que necessitando de uma legitimidade estrangeira que não se achava por aqui.


Por muito tempo, tivemos vergonha de nossas formas e modelos tupiniquins, de nossa cosmologia “supersticiosa”, de nossas organizações desorganizadas e flexíveis. Então nos intelectualizamos, usando a vestimenta greco-ocidental. Copiamos idéias outras, conceitos outros, gente outra, deuses outros. Mas…

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar…

A diferença entre Cristo e este marido é que Cristo não está diferente agora, nem maldizia antes a vida, nem deixava a noiva num canto. Mas nós o víamos assim. Nós o víamos um Cristo dos outros, um Cristo europeu, cujo amor por nós não podia ser pleno. Ao contrário daquele índio mexicano que um dia argumentou com Cameron Townsend, fundador da missão Wycliffe: “Se Cristo me ama, por que não fala minha língua?” Nós, ao nos depararmos com o Cristo europeizado, americanizado, não duvidamos de sua divindade e de seu amor, mas duvidamos de nossa condição: Ele não nos ama como somos, com toda razão. Somos muito feios. Somos muito brasileiros, somos muito negros, muito índios, muito ignorantes. O evangelho estrangeirado só veio somar mais dor à ferida de nossa rejeição colonial. Mazombos perdidos em terras sul-americanas, europeus morenos, não gostamos de ser quem somos. Sofremos daquele complexo da esposa de Salomão2. Morenos demais, baixos demais, alegres demais.

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado, cheirando a guardado, de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar…

Finalmente a noiva despertou. Enxergou o amor do noivo, seu desejo, seu carinho. Finalmente a noiva se entregou e, ao amá-lo, se amou, bêbada de aceitação, de descoberta, de restauração. Finalmente colocou seu vestido de festa e saiu com dignidade para a praça.

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos, como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.

E para receber o amor pleno do noivo, a noiva tinha de estar na praça, em público. Amor oculto, amor de motel é amor ilegítimo, ilegal, restrito. Amor de pracinha é amor público desavergonhado, reconhecido por todos. Ao se descobrir, a noiva se torna feliz, e sua felicidade se espalha como uma luz na cidade escura, como sal sobre a terra insossa, como água sobre o deserto sedento. E o mundo, quando a vê, compreende como deve ser. Ao vislumbrar seu abraço enlouquecido com o Rei do Universo, descobre seu destino, sua identidade, seu norte. E o dia amanhece lindo na noite da ignorância. Assim, a paz, que excede todo entendimento, alcança nossa mente cansada.

Oh, sim, vem, Jesus! Vem dançar comigo. Restaura minha dignidade, me ama como eu sou, me deseja assim morena, negra e índia, louca de amor por Ti, com meu jeito de louvar e adorar dançante e pleno de ritmos…

Só ama a Deus o povo que se ama.
Ouço a voz do meu amado
Ele me leva ao seu jardim
A sua voz me chamando
Sua mão está sobre mim.
Posso sentir seu perfume,
Sua fragrância de amor
Seu olhar me consome
Sua mão está sobre mim.
Vem, vem, vem dançar comigo, Jesus
Vem, vem dançar comigo
Leva-me em teus braços
Leva-me em teus braços de amor.


Extraído de jocumeiros.com.br

3 comentários:

Doth =) disse...

Que oremos:
Jesus, que nosso amor seja de pracinha!
Vem dançar!

Danilo disse...

Só Deus mesmo para gostar de nós pelo que somos e mesmo fazendo o que fazemos. Vc sabe q não sou de dançar mas essa dança eu nunca que iria rejeitar =)
Ótimo texto, bjão

Anônimo disse...

"Dance comigo, Amado da minh'alma o cântico dos cânticos!"
Que desejo sinto do meu Amado... lá no fundo eu sei que spo Ele me preenche, me extasia, me faz cantar qd nenhum ouvido quer me ouvir... mas não tem problemas... minha canção, tão somente canção é somente para Ele!
O amado da minh'alma"
Lindo, Doth!

Fabiana Paz