quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

dois lados da mesma viagem...





Blog semi abandonado, muitas saudades daqui... Há um tempo, uma amiga muito querida me alertou que falar sem coração é mentir. Então, preferi recluir-me no meu silêncio, enquanto meu coração me mandava calar. Mas, um sopro chamou-me a este texto. Veio-me a cabeça uma canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, “Encontros e Despedidas”: “Tem gente que chega pra ficar/ Tem gente que vai/ Pra nunca mais.../Tem gente que vem e quer voltar/Tem gente que vai e quer ficar/Tem gente que veio só olhar/Tem gente a sorrir e a chorar/E assim a chegar e partir.../São só dois lados/Da mesma viagem/O trem que chega/É o mesmo trem/Da partida.../A hora do encontro/É também despedida”.
Sobre esse “trem”, quantas vezes refleti! O que é a vida senão uma sucessão de mudanças, alterações de rumos sobre os quais não nos é permitido interferir? O que é a vida senão um trem de itinerário desconhecido aos pobres passageiros, onde cada estação é uma perda que lhes faz chegar ao destino esperado?
Essa reflexão remeteu-me há exatamente um ano atrás. Encaixando minhas coisas em uma caixa, e buscando espaço pra elas em um caminhão de mudanças, via como meus artefatos coloridos foram resumidos apenas ao ocre do papelão. Via, melancolicamente, aquela mudança como um passo no escuro. Porém, hoje percebo que a ruptura nada mais é que a morte (temporária) do que já é morto, para a geração de outra vida.
Transpomos fases desta existência, superamos o que era “morto”, para encontrarmos noutras pessoas, noutros caminhos, construir por meio da desconstrução, da ruína de algo que se foi, numa demolição interna, numa implosão inevitável...
Basta a nós, meros mortais, percebermos que as árvores nuas são apenas um prenúncio de uma primavera florida. Que só encontramos uns se nos despedirmos de outros. Que a “hora da despedida é também encontro”. Que não há como optar por algo que nos estagne.
Não sei em que momento minha mente se fez claro esse processo. Sei que me transformei ao adquirir a sabedoria da consciência de ter esse conhecimento comigo, o que decerto não começou aqui, no palpável atual, mas no decifrável apenas para almas equilibradas. Não é, ainda, o meu caso.

8 comentários:

luiza disse...

esse post veio na hora certa para mim, obrigada (:

Adoradora de Cristo disse...

já tava com saudade de ler os teus textos. Expressas-te muito bem! A verdade é mesmo essa, para conhecermos pessoas novas, temos que nos despedir de outras...para viver uma vida nova, é necessário abandonarmos a velha vida.

Que o Pai das luzes te ilumine e dirija os teus passos em todas as tuas decisões!

Beijinhos Doth

Mariana Diniz disse...

oi Doth!
Claro, a honra seria toda minha!
Aliás, muito obrigada por não se incomodar em 'me ceder' seus textos! Adorei todo o seu blog, temos muito em comum e tenho certeza que vamos nos dar bem! Gostaria muito de poder conversar mais com você! Mais uma vez, obrigada!

Mariana Diniz disse...

'Longa Estrada' tem uma longa história... de amor, claro. Se você tiver msn, depois eu te explico melhor! Sinta-se à vontade para usá-la!

gabs . disse...

liindo doth!
tão lindo quanto conhecer alguém tão esclarecedor como você.
me prepara para um ano de mudanças e transformações, terei sempre seus texto em mente ;D

Jaíce Cristina disse...

Você tem um jeito tão diferente de dizer o que sente... essas palavras, ainda que sejam conhecidas, se tornam mais fortes, por que é você quem as escreve. Encantadores, seu blog, suas palavras e doçura!

Alice Branco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel 69 disse...

Como eu disse, você escreve de modo envolvente, e incrivelmente, claro e organizado. Respeites sempre teu coração, ele é muito mais sábio do que tua mente, por mais lúcida e organizada que esta mesma seja. Sempre bom quando há harmonia entre coração e mente, mas se ocorre divergência, é preferível escolher o que nosso coração diz, pois ele não é enganado pelos sentidos... O que de certo modo entra a favor e contra Parmênides, quando ele diz que os sentidos são enganosos... As idéias, as caraminholas da mente conseguem ser mais enganosas do que qualquer coisa, ainda mais quando auxiliada pelo nosso Ego.

Novamente, parabéns pela tua clareza e qualidade.

Beijos Doth, agente se vê na Unifesp