domingo, 6 de fevereiro de 2011

Confessional

Recebo emails, mensagens e afins de um monte de gente dizendo que meus textos os consolam, os inspiram, e tudo o mais. Agora, posso fazer um pedido? Me empresta seu coração, porque a dor não tá cabendo no meu.
Não sei se você já se sentiu triste. Eu estou me sentindo agora, muito, muito, muito triste mesmo. Queria ser desses crentes que tem uma vida deliciosa, perfeita, cheia de vitórias e triunfalismo. Mas, não sou. Sinto vontade de largar mão de tudo. E isso dói.
Não sei se serei capaz de contar pra vocês por quanto tempo me sinto vazia. Tenho tido momentos de real refrigério diante de Deus, mas não me sinto satisfeita com nada disso. Quero viver, comer, beber, respirar Deus e seu estilo de vida. Não quero que minha devoção seja separada dos meus hábitos e da forma com que me relaciono com as pessoas. Não quero que o mundo me 'engula'. Não quero receber um vaporzinho de Espírito Santo. Quero mergulhar nEle! Não quero Cristo como apenas meu refrigério, mas quero que Ele seja uma porção REAL, VIVA E INFLUENTE em mim! Quero que meu DNA escolha Jesus, de uma forma que NADA mais seja da mesma forma. Quero que a vida Dele em mim se reflita principalmente nas pequenas coisas: na minha submissão aos meus pais, nos meus planos para o futuro, no meu comportamento em meio a não cristãos, que são as áreas em que mais me sinto falha. Quero que Ele inspire, eu expire!
Quero ser menos fútil. Quero que coisas pequenas e insignificantes não me desestabilizem tanto quanto fazem. Usar máscaras tem me desfigurado. Na ânsia de agradar as pessoas (e a mim mesma, que é a pessoa que mais cobra de mim), tento vestir a pose de pessoa forte, inteligente, cristã e moderada, mas não estou aguentando mais. Sinto-me como se essas máscaras me sufocassem. Eu quero mais é jogar tudo pra cima e chorar, sabe? Mas, mesmo assim continuo aqui, presa nessas máscaras, nessa hipocrisia, às vezes quero sair logo para tentar voar alto, mas não consigo. Já senti muita dor aqui dentro, de rejeição a solidão, de tristeza a depressão. Tenho medo de a dor já criar uma espécie de anestesia, e que em breve eu ache que eu já nasci com esse rosto desfigurado pelas máscaras.
Estou tentando trazer à memória o que me dará neste momento esperança, mas é difícil, muito difícil, porque comecei a pensar demais, e vocês sabem, no pensar há cansaço. Meu corpo se debate, tenta sair da cruz, tenta dizer que ele pode sozinho, mas a única coisa que tenho tido força pra fazer é deixá-lo lá, a duras penas.Parece que estou sem lugar, não consigo me ver fazendo parte do mecanismo que tem feito a roda girar e tão pouco acho que conseguiria fazer parte de um mecanismo paralelo para fazer com que ela pare de girar da forma como tem girado. E essa é a minha dor: a de não estar nem lá, nem cá. A da mornidão, a da mediocridade. Peço a Ele que me dê coragem para arrancar de mim essas máscaras, que não só me sufocam como também me cegam. O que eu quero, mais que tudo, é que Ele me mostre para onde eu devo ir, que Ele me faça alguém segundo o Seu coração. Quero tanto, que até dói.

3 comentários:

H. Kennerly disse...

oh, Doth.
Tenho acompanhado o blog há um tempo, e te adotei como irmãzinha virtual, pode?

Bom, quero dizer que, hã... claro, me sinto assim também.
Nasci na igreja e nunca, jamais, senti aquele fervor que os crentes mais recentes dizem sentir. Jamais vi uma transformação grande na minha vida, pois sempre estive ali, na igreja. Até quando me afasto, ao retornar, não sinto nada mais do que familiaridade.
Por muito tempo duvidei de minha própria fé, Doth. Queria viver inteiramente em Deus, queria sentir o Espirito Santo, queria ter um estilo de vida que gritasse "sou cristã". E sabe, isso só me fez sofrer.

Então, li algo muito interessante durante uns estudos bíblicos. Dizia que é melhor que vivamos o presente. Sem desejar mais que isso, o presente. Nada de remorso do passado, nada de aflição do futuro. Aproveitar o dia de HOJE para adorar a Deus, o dia de HOJE pra viver em comunhão.
É, é clichê, mas olha, funciona.
Aos poucos, deixei de ter tantas preocupações com o mundo, com a religião. Ainda vou na igreja, tá, rs, não abandonei isso, e espero nunca abandonar. Mas, olha, ao aproveitar o dia que o Senhor deu, o presente dEle para nós, comecei a realmente ver que não precisamos de grande fervor, de paixão, Deus está conosco nas pequenas coisas, e ao perceber isso, tudo o mais se modifica, a fé se renova dia a dia, e nos leva às grandes coisas.

Doth, não se preocupe com a mornidão, com as máscaras que você tanto diz. Se preocupe em como poderá fazer hoje um dia delicioso, em como pode aproveitar, pelas pequenas ou grandes coisas e agradecer a Deus por isso. Como pode fazer coisas boas para o próximo. Hoje. Tudo em pequenas fatias.

A água, antes de ferver, fica morna. =)

(é, escrevi maior texto, espero que não fique brava comigo, rs)
beijos!
Helô.

Biaafree disse...

Olha Doth, não tenho muito que lhe dizer. Sou um pouco cética em relação há várias coisas, mas, graças a pessoas abençoadas que Deus coloca em nossas vidas, estou enxergando um caminho muito melhor e mais correto ao lado dEle. Acho que sua fé em Deus, independente da situação que esteja enfrentando, é inabalável. E é essa fé que vai motivá-la, essa fé que fará você dar a volta por cima, Doth! (Não que você esteja por baixo, pelo menos não aos meus olhos). Esse assunto é muito pessoal e nós ainda não compartilhamos muitas coisas juntas, então é difícil eu consola-la. (Essa nem é a palavra certa...). Se você quiser um dia sair comigo, seja para conversar, ir ao cinema, e dar boas risadas, estarei pronta, esperando pela sua manifestação! Rezarei para que Deus te conforte nessa fase de transição que está enfrentando, e, se serve de consolo, eu sou sua fã e te acho uma menina inigualável. Sem puxa-saquismo ou exageros, você precisa sentir auto-admiração, menina, pois você nasceu para fazer toda e total diferença.

Gabriela Iamara disse...

Ual amiga, você, definitivamente, encontrou as palavras e a coragem que busquei durante tanto tempo!
Depois de muito refletir, cheguei à conclusão de que faz parte de todo o tipo de crença, de toda intensidade de fé, se sentir assim. Ele é acima de qualquer coisa um grande amigo e estou certa de que quer que cheguemos a Ele por nós mesmas, entende?
Acredito que o importante mesmo é não acomodar-se a esse sentimento. O que incomoda não pode ser acomodado!
E se quer saber, acredito que você esteja no caminho certo; só ao buscá-lo poderemos encontrar a satisfação e a paz que tanto almejamos.
Amo você Doth, Deus lhe fez passar por minha vida e você cumpre com maestria o lindo papel de grande amiga que lhe foi carinhosamente designado (: