domingo, 25 de dezembro de 2011

Amor de redenção


'When someone dries your tears
When someone wins your heart and says you're beautiful 
When you don't know you are
And all you long to see
Is written on His face
Love has come and finally set you free'
Wedding Day - Casting Crowns











Eles, a Trindade. Aqueles que eram, que são e que hão de vir. Pai, Filho, Espírito Santo. Os criadores e doadores da vida. Perfeitamente bons e confiáveis, de sabedoria ilimitada. Escolheram limitar-se em amor à Sua obra prima: a criação. Deus, a figura suprema em que tudo subsiste, soprou no homem e transformou-lhe em uma alma, formada com o objetivo de ser infinitamente apaixonado. Criador e criação, envolvidos em um laço inquebrável. Tamanho amor, incomensurável, fez com que eles três, por meio de Jesus, se fizessem carne e viessem a esse mundo. Plenitude, perdão. 

Ele. Um homem honesto. Sóbrio. Forte. Devoto. Suas mãos, apesar de calejadas pelo trabalho pesado, tinham um toque macio, gentil. Em toda a simplicidade de sua fé, tinha uma vida que esbanjava sinceridade. Era de um caráter irrepreensível. Em uma época de homens corruptos e perversos, os olhos dele brilhavam como estrelas. Ele se deleitava em Deus. E Deus sentia prazer nele.

Ela. Filha de um adultério. Vendida para a prostituição antes de perder as faces arredondadas características de um bebê. Seus cabelos longos e loiros formavam uma cascata dourada que caía suavemente sob seu colo esguio. Seus olhos, de um gélido azul, eram frios. Vazios. Rasos. Seu sorriso era provocante e sensual, mas totalmente desprovido de qualquer significado. Tinha um sorriso oco, assim como seu coração. Ferida desde a mais tenra infância, fazia de sua indiferença um escudo. Não sabia chorar. Não se permitia a esse luxo. Aos poucos, seu coração foi se tornando cada vez mais invulnerável. Guardava suas emoções, sentimentos e dores em um lugar tão profundo que nem ela mesma conseguia chegar até eles. Tentou desde criança se tornar o que esperavam que ela fosse. Encaixou-se perfeitamente, depois de algum esforço, na sua profissão.  Libertina. Depravada. Imoral.

Em um sopro de misericórdia, Eles, que amavam a Ela desde a fundação do mundo até a consumação dos séculos, escreveram no livro de seus dias um capítulo todo especial: o dia em que Ele a vê. E Ela o chamou. Não pela sua aparência, perfume ou gosto, mas por algo que vai muito, muito além disso. E tudo o que Ele pode fazer foi responder.

Tece-se então uma história emocionante e bela de cura. Ela, que sempre acreditou que tudo o que homens poderiam fazer por ela é usá-la, e que deveria manter seu coração guardado a sete chaves para não ser ferido, encontra o primeiro e único homem que a ama. Vai aos poucos se libertando das antigas regras, esquecendo-se do que os outros mestres lhes ensinaram. Seu coração se torna como a terra seca se encharcando de chuva primaveril. Não sem alguma frequência, se assusta ao ver algo preenchendo seus sorrisos. Aprende a chorar. Ele ganhara seu coração.

E através dele, Eles puderam voltar à cena. Se mostram a Ela não como aquele Deus que esperava ansiosamente pelo momento de trancafiá-la no inferno, mas sim como o Deus que preferiu morrer por Ela, a viver sem Ela. As mãos calejadas dele, ao tocá-la, remetiam sempre aos furos nas mãos dEles, que transpassadas numa cruz jorravam o sangue que a tornaria mais alva que a neve. A cruz passa a fazer sentido pra ela. Passa a ser um presente, muito mais valioso do que as jóias que ganhava de seus antigos amantes. Ela não era mais a prostituta. Era a princesa. Tudo se fez novo. Ela não tinha mais mácula. Não era mais impura. Era bela e desejável. Era a feliz donatária de um presente que custara a vida de Deus. Seus olhos passaram a traduzir a alegria de viver sob a plenitude do propósito de sua criação. Seu coração transbordava essa alegria. Deixou de tentar adaptar-se ao que o mundo cruel e perverso queria dela, e passou a ser o que Eles a criaram para ser. Bela. Limpa. Amada.




"E naquele dia, diz o SENHOR, tu me chamarás: Meu marido; e não mais me chamarás: Meu senhor.
E da sua boca tirarei os nomes dos Baalins, e não mais se lembrará desses nomes.
E naquele dia farei por eles aliança com as feras do campo, e com as aves do céu, e com os répteis da terra; e da terra quebrarei o arco, e a espada, e a guerra, e os farei deitar em segurança.
E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias.
E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR."
Oséias 2:16-20

"O amor purifica, minha amada. Ele não derrota ninguém. (...) Meu amor não é uma arma. É a linha da vida, um salva-vidas. Estenda a mão, agarre-se e não solte mais." Amor de redenção, Francine Rivers - página 302










Ando em hiato criativo, meus queridos. Essa foi uma tentativa de conto inspirada no romance de Francine Rivers, Amor de Redenção. Um dos melhores livros que já li. Recomendo!

5 comentários:

Cíntia Mara disse...

Ficou ótimo! Lindo, lindo, lindo... Assim como o livro e a música maravilhosa que abre o post ^^

Beijinhos

Mariana disse...

Lindo Doth! Eu já queria ler esse livro quando li no blog da Cíntia, agora eu tenho que ler *-*

Bárbara Juliana disse...

Parabéns Doth, ficou muito bom!!!
E gostei da recomendação do livro, vai entrar na minha lista. Bjones!

Tayná M. disse...

Olá Doroth, gosto muito do seu blog e do conteúdo dele, vc posta coisas muito persuasivas que sao cheias de verdades bíblicas, Deus a abençoe, quando puder dá uma passadinha no meu blog também, ele é um bebê rs, acabei de fazê-lo. beijos

Brenda Vanin disse...

recomendo esse livro tb, o melhor que ja li... gostei muito do seu post Doroth :)