quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dia Internacional da Menina

Hoje, fui lembrada pela querida Maira Begalli que hoje é dia da menina, pela primeira vez.

Você pode se perguntar: qual a utilidade dessa data?

Estamos às vésperas do Dia da Criança, data que, minha mãe dizia, só serve para aquecer o comércio antes do Natal.

Já tivemos o Dia da Mulher, em 8 de Março, data lembrada com desdém por muitos, apesar de sua história ter sido escrita com o sangue das trabalhadoras exploradas, das mulheres violadas.

Mas o "ser menina" traz uma carga muito diferente do "ser mulher". Menina tem que aprender.

Tem que aprender que não somos todos iguais perante a lei, embora digam ao contrário. Tem que aprender que príncipes encantados são coisa de faz-de-conta. Mas o Lobo Mau existe, este sim, em muitos lugares. E algumas, aprendem rápido.

Menina tem que aprender a ser esperta. Tem que aprender a prestar atenção. Tem que aprender que o perigo pode estar em vários lugares. E se ele alcançar você, a culpa é sua. 

Longe dos clichês a que este dia possa levar, não vou parabenizar ninguém aqui por ser/ter sido menina. Lembremos do olhar da prostituta indiana de cinco anos que mudou minha vida, embora eu só tenha visto por fotografia. Lembremos das meninas que narraram sua vida à jornalista Eliane Trindade em Meninas da Esquina, que foram forçadas a virar mulheres rápido demais.

Lembremos das meninas que conheci no Haiti. Da menina que era pouco mais que um bebê e me perguntou onde estava minha mamãe, para depois dizer que a sua, embora esperasse-se eterna, não existia mais. 

Lembremos das personagens de romances nacionais e internacionais, que inspiram tantas meninas ao redor do mundo. Que como em uma catarse, acendem dentro delas a esperança de ser Cinderela, de ser acordadas da dor pelo beijo de alguém que a ama. Lembremos de Dora, Capitães da Areia, Jorge Amado, que só viveu como mulher por algumas horas, na única noite da sua vida em que havia "paz, grande paz de seus olhos". Lembremos de Pollyanna, de Eleanor H. Potter, cujas circunstâncias da vida a levaram a sempre buscar ver o não tão visível lado bom das coisas.

Lembremos da menina molestada pelo pai desde os onze anos de idade cujo diário foi publicado pela jornalista chinesa Xinran, no (excelente!) livro Boas Mulheres da China, que dizia não conseguir lavar a dor. Que lamentava o brilho perdido de seus olhos, que não demonstravam mais o brilho e a graça de uma menina. Cujas orelhas, fracas pela constante vigilância, não aguentavam mais nem um par de óculos. Que aprendeu cedo a não acreditar nos livros que dizem que ser mulher é melhor que ser homem.

Lembremos, ainda, das meninas entre os 43% das mulheres que são vítimas de violência doméstica. Das meninas que compõe a estatística de uma violência sexual no Brasil a cada 12 segundos. Das meninas que foram espancadas, estupradas e mortas instantaneamente. Das meninas que ainda são espancadas, estupradas e mortas pouco a pouco. Das meninas que não são estatísticas ou números, mas que têm nome, sobrenome e sonhos. Das meninas que nós já vimos, porém, sem nunca olhar pra elas. Das meninas cujos sussurros gritam. Das meninas que pedem hoje, mesmo que em vão: "lembrem-se de mim."

Um comentário:

Anônimo disse...

PARECE MENTIRA QUE TUDO ISSO AINDA EXISTE ,MAS SE BUSCAMOS SABER A QUANTIDADE DE MENINAS EM CAMBOYA ,TAILANDIA,PAISES ASIATICOS ...ESTAM SENDO EXPLORADA SEXUALMENTE ,PARTE DO PIB (PRODUTO INTERIOR BRUTO) DE ALGUNS DESSES PAISES ASIATICOS SAO ATRAVES DO TURISMO SEXUAL ,OU SEJA PEDERASTAS DE TODO O MUNDO E QUE CHEGANDO ALI CONSEGUEM CRIANÇAS A MAIORIA MENINAS APARTIR DE 2 ANOS DE IDADE ...VIVENDO EM CONDICOES SUBHUMANAS INCLUSO ENJAULADAS.AGORA IMAGINA DESSAS CRIANÇAS QUE TIVERAM SUAS INFANCIAS INTERRUMPIDAS POR FREIXINETAS(CAFETAO)E POR PEDERASTAS COMO SERA SUAS VIDAS ADULTA ,ME REFIRO AS QUE SOBREVIVEM PORQUE A GRANDE MAIORIA ESTAM CONTAMINADAS COM HIV.